“Jamais tivemos conhecimento”, fala pela primeira vez o trio bilionário acionista sobre rombo da Americanas (AMER3)

Os acionistas bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira dizem acreditar firmemente que “tudo estava absolutamente correto”

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Os bilionários acionistas da Americanas (AMER3), Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, divulgaram uma nota neste domingo (22) sobre o escândalo contábil da empresa. É o primeiro pronunciamento do trio desde o descobrimento das inconsistências contábeis.

Os acionistas, que juntos detém 31% da Americanas, disseram jamais ter conhecimento e nunca admitiriam quaisquer manobras ou dissimulações contábeis na companhia.

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“Nossa atuação sempre foi pautada, ao longo de décadas, por rigor ético e legal. Isso foi determinante para a posição que alcançamos em toda uma vida dedicada ao empreendedorismo, gerando empregos, construindo negócios e contribuindo para o desenvolvimento do país”, dizia o comunicado. 

“Manifestamos mais uma vez nosso compromisso de integral transparência e de total colaboração em tudo que estiver ao nosso alcance para esclarecer todos os fatos e suas circunstâncias.”

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Em nota

O comunicado assinado por Lemann, Telles e Sicupira expressava a ética da empresa e a administração dos últimos 20 anos realizada por “executivos considerados qualificados e de reputação ilibada”.

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Os acionistas de referência da rede de lojas de varejo, donos da 3G Capital, afirmaram que nunca iriam admitir dissimulações contábeis, e que contavam com uma das maiores empresas de auditoria independente do mundo. 

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Segundo a nota, a PwC, rede internacional de firmas, fez uso regular de cartas de circulação. Eles afirmaram que jamais houve denúncia de qualquer irregularidade vinda da companhia ou das instituições financeiras.

Será disponibilizado todas as condições necessárias para o comitê independente da Americanas apurar os acontecimentos e dados referentes às inconsistências contábeis, disseram os empresários. O comitê também será responsável por julgar um eventual interrompimento do diálogo entre os auditores e as instituições financeiras. 

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O trio lamentou as perdas financeiras dos demais acionistas, investidores e credores, além de enfatizar que os mesmos empresários bilionários também estão inclusos no prejuízo.

Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles/Foto: Divulgação

“Reafirmamos o nosso empenho em trabalhar pela recuperação da empresa, com a maior brevidade possível, focados em garantir um futuro promissor para a empresa, seus milhares de empregados, parceiros e investidores e em chegar a um bom entendimento com os credores”, concluiu o comunicado.

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Entenda o caso

O caso do escândalo da Americanas se tornou público no último dia 11, com a saída do então CEO, Sergio Rial, e do então diretor de relações com investidores, André Covre, após menos de dez dias nos cargos. Os dois deixaram a empresa sob o descobrimento de “inconsistências em lançamentos contábeis”.

Desde a revelação do rombo estimado no valor de R$ 20 bilhões, as ações da empresa despencaram. No último dia 12, após o anúncio, as ações da varejista caíram 76%, a R$ 2,85, por volta das 14h da tarde.


Na sessão desta segunda-feira (23), embora tenha sido aberta com uma alta de 16,90%, os ativos continuaram se apresentaram abaixo de R$ 1, a R$ 0,83, às 10h28 (horário de Brasília).

A Americanas entrou na justiça com um pedido de recuperação judicial na última quinta-feira (19). 

Em sua saída, o ex-CEO afirmou que a empresa deve se capitalizar para combater o rombo. O conselho de Rial e dos bancos credores não foi manifestado no comunicado desta domingo (22) do trio de empresários.

Nota divulgada neste domingo

Confira abaixo a íntegra da nota divulgada pelo trio:

No dia 11 de janeiro de 2023, por meio de “fato relevante”, a Americanas S.A. tornou pública a existência de significativas inconsistências em sua contabilidade. Desde então, sempre com transparência e imediatismo, vários esforços vêm sendo feitos para o correto tratamento dos desafios que hoje se colocam à empresa. 

Usamos dessa maneira clareza para esclarecer de modo categórico e a bem da verdade que:

1) Jamais tivemos conhecimento e nunca admitiríamos quaisquer manobras ou dissimulações contábeis na companhia. Nossa atuação sempre foi pautada, ao longo de décadas, por rigor ético e legal. Isso foi determinante para a posição que alcançamos em toda uma vida dedicada ao empreendedorismo, gerando empregos, construindo negócios e contribuindo para o desenvolvimento do país.

2) A Americanas é uma empresa centenária e nos últimos 20 anos foi administrada por executivos considerados qualificados e de reputação ilibada.

3) Contávamos com uma das maiores e mais conceituadas empresas de auditoria independente do mundo, a PwC. Ela, por sua vez, fez uso regular de cartas de circularização, utilizadas para confirmar as informações contábeis da Americanas com fontes externas, incluindo os bancos que mantinham operações com a empresa. Nem essas instituições financeiras nem a PwC jamais denunciaram qualquer irregularidade.

4) Portanto, assim como todos os demais acionistas, credores, clientes e empregados da companhia, acreditávamos firmemente que tudo estava absolutamente correto.

5) O comitê independente da companhia terá todas as condições de apurar os fatos que redundaram nas inconsistências contábeis, bem como de avaliar a eventual quebra de simetria no diálogo entre os auditores e as instituições financeiras.

6) Manifestamos mais uma vez nosso compromisso de integral transparência e de total colaboração em tudo que estiver ao nosso alcance para esclarecer todos os fatos e suas circunstâncias.

7) Lamentamos profundamente as perdas sofridas pelos investidores e credores, lembrando que, como acionistas, fomos alcançados por prejuízos.

8) Reafirmamos o nosso empenho em trabalhar pela recuperação da empresa, com a maior brevidade possível, focados em garantir um futuro promissor para a empresa, seus milhares de empregados, parceiros e investidores e em chegar a um bom entendimento com os credores.

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira

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