Hering é intimada por CVM sobre uso de informação privilegiada

A notificação ocorreu depois de uma matéria ser veiculada no jornal “O Globo”

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Nesta quarta-feira (19), o Grupo SOMA (SOMA3) publicou em Comunicado ao Mercado que uma de suas marcas, a Hering, havia sido notificada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por conta do suposto uso de informação privilegiada.

Além da marca, o ex Diretor Presidente da Hering, que ocupa atualmente o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo SOMA, Fábio Hering, também foi intimado pela Comissão.

Hering é intimada

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O Comunicado foi publicado em meio à abertura do pregão desta quarta-feira, após uma matéria no jornal “O Globo” sobre o caso ser divulgada.

No documento, a controladora da marca diz que o “Grupo de Moda SOMA S.A. vem esclarecer […] que sua subsidiária indireta cia. Hering foi intimada pela Comissão de Valores Mobiliários da instauração de processo administrativo sancionador.”

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De acordo com a empresa, o processo em questão foi instaurado para a apuração do suposto uso de informação relevante ainda não divulgada para o mercado, por ocasião das recompras realizadas pela marca.

O movimento é conhecido como “insider trading”, e denomina a utilização direta de informações relevantes desconhecidas pelo público para obter vantagens e lucro na negociação de valores mobiliários.

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Fábio Hering, antigo CEO da marca Hering/Foto: Versatille

Elas foram feitas em abril de 2021, cerca de 5 meses antes do firmamento do acordo que fez com que o controle da marca passasse a ser detido pelo Grupo SOMA.

Para que o Grupo passasse a deter o comando da marca de roupas, um contrato de R$ 5 bilhões foi assinado.

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Na época, o herdeiro da família fundadora da Hering, Fábio Hering, deixou o cargo de Diretor-executivo da marca para assumir a posição de vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo SOMA.

Assim, a Comissão de Valores Mobiliários busca apurar se houve ou não a utilização de informações privilegiadas durante o movimento de recompra de ações realizado na época.

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De acordo com o comunicado, a companhia está comprometida em defender seus interesses perante à investigação do órgão.

“[…] o Grupo SOMA informa que a Cia. Hering tomará as providências cabíveis para a defesa de seus interesses.” conclui a companhia, afirmando que manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados acerca do assunto, de acordo com os termos da legislação aplicável.

Grupo SOMA adquiriu a Hering em abril do ano passado/Foto: Reprodução

Depois de anunciar a investigação por parte da Comissão de Valores Mobiliários, as ações do Grupo SOMA se desvalorizaram nesta quarta-feira (19).

Seus papéis somaram às 14:47 horas (Horário de Brasília) uma queda de 3,64%, atingindo os R$ 12,96.

No período de seis meses, seus ativos apresentam uma queda de 9,75%. No acumulado do ano, no entanto, a empresa conta com uma alta de 9,0%.

O documento foi, por fim, assinado pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Grupo SOMA, Gabriel Silva Lobo Leite.

Hering durante as negociações

Quando a marca ainda estava em negociações sobre o seu controle, em abril do ano passado, a Arrezo (ARZZ3) havia se interessado, propondo uma fusão com a Hering.


A rejeição da proposta foi divulgada no dia 14 daquele mês. Isso fez com que, ao final do pregão do dia seguinte, as ações da marca de roupas, que ainda era uma companhia de capital aberto, fechassem com uma valorização de 28.13%.

No dia em que a aquisição pelo Grupo SOMA foi divulgado, no dia 26 de abril do ano passado, as ações da Hering também dispararam, chegando a atingir uma alta de 36,38%, mas fechando com uma valorização de 26,19%.

No entanto, no dia 20 de setembro do ano passado, as ações da marca de roupas foram substituídas por ativos do Grupo SOMA, fazendo com que os papéis da Hering deixassem de serem negociados na Bolsa de Valores brasileira, a B3.

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