Haddad foca na prioridade de Lula em reforma tributária e não é bem recebido pelo mercado

Discursos em evento da Febraban englobam inflação e reforma tributária e não mencionam PEC de Transição nem teto de gastos

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Discursos dados em um evento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), realizado na tarde desta sexta-feira (25) deram destaque à inflação e à prioridade do governo eleito à reforma tributária. O Almoço Anual dos Dirigentes de Bancos. 

Sem desenvolver PEC da Transição nem teto de gastos, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) disse que Lula irá priorizar a reforma tributária, ao assumir seu governo em 2023. Seu discurso não obteve reações positivas do mercado. 

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Antes do ex-ministro da Educação, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, defendeu fortalecer políticas do lado de ofertas em seu discurso. Segundo ele, colocar mais dinheiro na economia vai gerar inflação maior. 

Prioridade de Lula é a reforma tributária

Cotado para assumir o Ministério da Fazenda, Haddad substituiu o presidente eleito que se recupera de uma cirurgia na garganta realizada no último domingo (20). “A determinação clara de Lula é que possamos dar logo no início do próximo governo uma prioridade total à reforma tributária”, ele disse.

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Fernando Haddad (PT) junto a Luiz Inácio Lula da Silva (PT)/Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert

Como representante do novo governo e tratado como ministro da Fazenda, o ex-prefeito de São Paulo se sentou junto a Isaac Sidney, presidente da Febraban, de quem discursou depois, e André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG.

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“Na sequência, [Lula] pretende encaminhar uma proposta de reformulação dos impostos sobre renda e patrimônio para completar o ciclo de reforma dos tributos no Brasil, que qualquer advogado tributarista consultado vai dizer que é um verdadeiro caos o que estamos vivendo no Brasil, afugentando investimentos e atrapalhando os investidores que estão sediados no Brasil.”


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Presença de Haddad

Sugerido por muitos a assumir o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, ao invés do cotado Pérsio Arida, Haddad ressaltou o papel fundamental do Congresso sobre o Orçamento e destacou, especialmente, a transparência: “Temos uma tarefa de reconfigurar o Orçamento e dar a ele mais transparência”.

“Às vezes, as pessoas imaginam que mais transparência significa menos protagonismos, e não é verdade. Congresso pode e deve participar da gestão do Orçamento, no que diz respeito aos direcionamento dos recursos para despesas que os parlamentares consideram prioritárias, mas não significa se descomprometer com a transparência e com a eficiência do gasto público”, afirmou sobre o trabalho protagonista que o Congresso deve desempenhar. 

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Controlar inflação

Acima de afirmar o aumento da inflação ao injetar dinheiro na economia, Campos Neto indicou deslocar a perspectiva a fim de analisar a inflação: “Ao invés de olhar nível da inflação, importante é olhar volatilidade da inflação”.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Se estamos dizendo que a oferta vai ser menos adaptável daqui para frente, estamos dizendo que os diversos choques que virão, a inflação será mais volátil. A inflação mais volátil, com a incerteza maior, levanta esse piso e faz essa relação entre agregados e inflação seja mais inclinada.”

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O presidente do Banco Central explicou como um crescimento grande na economia embaça a projeção de inflação, uma vez que expansão financeira resulta em volatilidade e, por consequência, incerteza econômica. 

Resposta do mercado

Enquanto a fala de Campos Neto não pareceu ter afetado o mercado, a reação a Haddad foi a oposta. O presidente do Banco Central focou em políticas fiscais e monetárias condizentes com medidas para conter a inflação.


Já as respostas do mercado para Fernando Haddad, cotado como ministro da Fazenda, não corresponderam com a projeção da equipe de transição, que indica cada vez mais a nomeação do ex-ministro da Educação ao cargo. Segundo petistas, Lula o indicou para representar o governo eleito no evento como teste de avaliação, para analisar o desdobramento dos agentes econômicos diante de sua presença.

Entretanto, ela não animou o Ibovespa, que apresentou uma rápida queda após o discurso. Além da baixa acima de 2% do indicador da B3, o dólar passou para R$ 5,41, apresentando uma alta de 1,84%, junto aos juros futuros (DIs). 

Suas falas, vistas como representações do Lula e da Fazenda, não desenvolveram sobre a PEC de Transição, que propõem retirar quase R$ 200 milhões do teto de gastos e que não tem verba para custear a volta do Bolsa Família, nem seu papel na equipe de transição de Lula.

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