Copa: energia cai enquanto churrasco fica mais caro

Estudo da FGV Ibre aponta inflação em vista da Copa do Mundo; deflação de 19,59% em energia e alta de 5,8% de carne e cerveja

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Segundo levantamento do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), energia segue com uma deflação de 19,59%, ao mesmo tempo que carne e cerveja apresentam uma alta de 5,8%.

Com nove dias faltando para o início da Copa do Mundo 2022, brasileiros não pagarão barato para torcer pela seleção.

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Pesquisa analisou eletrodomésticos, produtos de churrasco, serviços de alimentação e comunicação e demais itens consumidos para reunir e acompanhar os jogos. 


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Clima de Copa caro

O estudo realizado pela FGV Ibre investigou os principais produtos e itens de uso e consumo pelos torcedores do Brasil e suas taxas de inflação. O resultado acumulado nos últimos 12 meses apontou um índice geral negativo de 0,94% na cesta.

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As maiores contribuições para a deflação da energia foram pela energia elétrica, que registrou uma queda de 19,59%, e pela comunicação, com uma baixa de 3,07%.

Enquanto as taxas de energia se mantêm em declínio, o churrasco apresenta comportamento oposto. Os índices de bebida subiram em torno de 11%, um aumento de 10,9% na cerveja e 11,10% em refrigerante e água.

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Já o item protagonista do churrasco teve uma alta de 5,8% para as carnes bovinas e 2,46% para as carnes suínas.

Já em referência a 2018, pesquisa da XP aponta aumento no preço da carne de 76,9% e 21,6% no preço da cerveja, desde julho de 2018 a setembro deste ano.

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Preço do churrasco sobe 76,9% desde 2018 /Foto: Pixabay

Os impactos econômicos de 2022

Embora as implicações na economia sejam esperadas com o esquentamento do clima de Copa, se superando a cada quatro anos, dentro e fora dos supermercados, as variações de preço deste ano não foram em detrimento do campeonato. 

Matheus Peçanha, economista e responsável pelo estudo, afirma que a queda do preço da energia foi consequência de outros fatores. “A energia caiu muito por conta do ICMS, que foi cortado. Foi essencial para essa forte queda no preço”, ele explica.

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O pesquisador ressalta a tendência do churrasco sendo fortemente influenciado por mercados fora do Brasil e conduta de trabalho: “No churrasco, a gente vê que a carne bovina sofre mais com a dinâmica internacional e aumento dos custos de produção”.

No entanto, se você considerar que todos os dias de jogos vai encher a geladeira e fazer churrasco, vai pesar mais no bolso o churrasco”, Peçanha ainda frisa o comportamento do torcedor.

O preço de torcer

Em comparação à Copa do Mundo da Rússia, a carne foi um dos maiores afetados pela alta. De acordo com a pesquisa atualizada em setembro, a XP fundamentou-se com base no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e indicou um aumento de 76,9% no preço da carne desde de 2018.

O valor corresponde a uma inflação três vezes maior que a taxa de inflação da época da última Copa (26,3%).

Contudo, as alternativas recomendadas pelo estudo da FGV Ibre seguem uma trajetória que apresenta valores em queda. As opções para quem quer economizar são em grande maioria carnes suínas, sendo o único corte de carne bovina indicada a costela bovina, com uma queda de 0,04% nos últimos 12 meses.


O pernil de porco, costela suína e lombo manifestam variações de -1,73%, -1,54% e -0,12%, respectivamente.

De qualquer forma, acompanhar os jogos vai sair caro. Os torcedores que desejam ver os jogos da seleção fora de casa também estão inclusos na alta dos preços de consumo. Com um aumento médio de 8,06% em alimentação em bares e restaurantes, o responsável pelo levantamento da FGV Ibre revela como consequência da pandemia de covid-19.

Peçanha diz: “Foi um setor que sofreu muito na pandemia, enfrentou dois anos com alta dos alimentos e agora, nesses momentos de alta demanda, infla mais o preço”.

E os brasileiros que verão os jogos dentro de casa, caso queiram enfeitar a moradia, também enfrentam a alta de outros itens da cesta. Acima da carne e da cerveja, os valores de artigos de decoração e artigos esportivos sofreram um crescimento de 2,69% e 1,68%, respectivamente. Desta forma, enquanto os brasileiros vão ter energia mais barata para assistir a Copa, o problema vai ser em aproveitá-la.

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