Mudança no cenário macro: entenda o que está acontecendo

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O panorama macro está mudando. A inflação seguirá elevada e instável, mas a primeira etapa da crise está chegando ao seu final. Isso significa que o dólar está em tendência de queda, os títulos em tendência de alta, as ações com desempenho inferior aos títulos e o crescimento com desempenho superior.

As mudanças de cenários podem parecer imperceptíveis em tempo real, mas em retrospectiva marcam pontos de virada fundamentais. A inflação hoje está passando por uma dessas mudanças, análoga à década de 1970. Naquela década, a inflação poderia ser entendida como uma peça teatral em três atos, um drama que provavelmente vai se repetir neste ciclo.

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⦁ No primeiro ato, a inflação faz novas altas e o Fed faz um aperto agressivo.

⦁ A segunda é quando a inflação começa a recuar, permitindo que o banco central reduza o aperto.

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⦁ O ato final é quando vemos a inflação retornar com força total, provocando uma resposta monetária ao estilo de Paul Volker (que no início dos anos 80 levou a economia americana para um buraco profundo elevando drasticamente os juros) e uma recessão profunda para eliminá-la completamente.

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O que trouxe a cortina para baixo no primeiro ato? Seguem três indicadores importantes para uma virada decisiva:

⦁ O mercado agora está à frente das projeções de taxas do Fed (os pontos)

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⦁ A curva de rendimento real está achatando enfaticamente⦁ O Indicador Avançado de Rigidez Financeira Global (AGFTI) está subindo

Durante todo esse ciclo, o mercado tem antecipado uma taxa de pico menor do que o desejado pelos membros do FOMC. Isso mudou nos últimos dois meses, sinalizando que a postura hawkish do Fed estava chegando no auge enquanto o mercado ampliava – não inibia – a política pretendida pelo Fed.

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A curva de rendimento real havia se inclinado implacavelmente à medida que as taxas reais de prazo mais curto continuavam caindo enquanto a taxa do Fed ficava atrás da inflação. Mas a tendência mudou definitivamente em julho, apontando para um pico do dólar. A alta do dólar tem sido um dos aspectos que definem o ambiente macro nos últimos 18 meses, e sua queda significa uma diminuição da pressão, mais significativamente, sobre as ações e commodities dos mercados emergentes.

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As condições monetárias globais estão mais apertadas.

Não apenas o Fed tem elevado as taxas; os bancos centrais em todo o mundo têm feito o mesmo. Porém, embora muitos tenham começado a aumentar as taxas depois do Fed, qualquer sinal de que os EUA não precisam apertar muito mais será suficiente para permitir que outros bancos centrais também tirem o pé do freio monetário.

O que o segundo ato significa para os preços dos ativos? Como acabamos de mencionar, o achatamento na curva de rendimento real indica que o dólar provavelmente atingiu o pico por enquanto. Isso abre espaço para maior suporte no euro, iene e libra esterlina, já que a maior parte do enfraquecimento dessas moedas pode ser atribuída à força do dólar.

Os tesouros devem ver mais vantagens. Além de um Fed mais favorável à economia, os rendimentos de curto prazo mais altos dos EUA sufocam a demanda externa por títulos do Tesouro, enquanto o posicionamento e os fatores sazonais são muito favoráveis ​​para eles.

As ações enfrentarão ventos contrários, até que o excesso de liquidez comece a aparecer definitivamente, e a ameaça iminente de uma recessão persista, elas continuarão presas em um mercado em baixa, enfrentando o risco de vendas acentuadas. Dito isto, a ação recente dos preços aponta para um viés de surpresas de alta no curto a médio prazo.

O que é provável, é que as ações continuarão a ter um desempenho inferior aos títulos.

A relação entre ações e títulos permanece apenas marginalmente abaixo de seu valor justo, e tende a cair para o lado negativo, atingindo seu ponto mais baixo no auge da recessão

Nas ações, agora deve haver uma janela em que o crescimento começa a superar o valor novamente. As ações de crescimento, especialmente de tecnologia, ficaram para trás e foram os setores que mais sofreram e tiveram pior desempenho. Uma mudança de panorama e a crescente ameaça de uma recessão, provavelmente significam potencial para a tecnologia superar. Como mostra o gráfico abaixo, o setor de tecnologia tende a ter um desempenho inferior antes de uma recessão e se superar depois.

-Flávia Davoli

*As opiniões do colunista não refletem necessariamente a posição da Estoa.

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