IPCA: o principal índice brasileiro de inflação

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Quem já iniciou no mundo dos investimentos certamente em algum momento já se deparou com essa sigla. O IPCA é um indicador muito importante na economia nacional e está presente no dia a dia da população de forma direta ou indireta.

Ao ir ao supermercado, o consumidor consegue sentir a diferença nos preços dos produtos. É comum se deparar com valores mais altos, em alguns momentos em diferenças de período curtos. Quando isso ocorre, as causas para isso são as altas da inflação.

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O que é IPCA?

O significado do indicador é Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Seu objetivo é abranger 90% das pessoas que vivem nas áreas urbanas no país, por isso é chamado de “amplo”. O resultado da conta indica se, na média, os preços aumentaram, diminuíram ou permaneceram estáveis de um mês para o mês seguinte.

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O IPCA foi criado em 1979, com um objetivo: medir a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços vendidos no varejo e consumidos pelas famílias brasileiras. Apesar de surgir nessa época, só começou a ser utilizado pelo Banco Central na condução de nossa política econômica em junho de 2000, ao ser escolhido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) como o índice de preços utilizado no regime de metas de inflação.

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O CMN é responsável por determinar a meta de inflação a ser cumprida no ano e o responsável por executar essa meta é o Banco Central (BACEN).

Cálculo do IPCA

O cálculo desse índice de preços é realizado mês a mês pelo IBGE nas principais cidades do Brasil. O alvo da metodologia do IPCA são as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, independentemente de qual seja sua fonte de renda.

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Para chegar ao índice de inflação, são coletados os preços entre os dias 1º e 30 de cada mês em lojas e estabelecimentos de prestação de serviços, concessionárias de serviços públicos (como água ou energia elétrica), diretamente nos domicílios, além da internet. 

Para chegar à composição da cesta de produtos e serviços que terão os preços acompanhados regularmente, o IBGE parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Esse levantamento é atualizado de tempos em tempos, para assegurar que o índice reflita uma situação o mais próximo possível da realidade das pessoas. Sempre que a POF é atualizada, o cálculo do IPCA é modificado.

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Atualmente os produtos utilizados para o cálculo do IPCA estão relacionados dentro dos seguintes grupos e correspondem a um determinado percentual do IPCA:

GrupoPeso (%)
Alimentação e bebidas19,3
Habitação15,6
Artigos de residência3,8
Vestuário4,6
Transportes20,6
Saúde e cuidados pessoais13,5
Despesas pessoais10,7
Educação6,1
Comunicação5,7
Fonte: IBGE

É importante salientar que as regiões do Brasil têm um peso diferente na composição do IPCA. Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de 16 capitais, porém cada uma tem uma representatividade específica no cálculo. Essa diferença é determinada pela renda média das famílias.

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A estrutura de pesos regionais do indicador é a seguinte:

ÁreaPeso (%)
Rio Branco0,5
Belém3,9
São Luís1,6
Fortaleza3,2
Recife3,9
Aracaju1,0
Salvador6,0
Belo Horizonte9,7
Vitória1,9
Rio de Janeiro9,4
São Paulo32,3
Curitiba8,1
Porto Alegre8,6
Campo Grande1,6
Goiânia4,2
Brasília4,06
Fonte: IBGE

IPCA-15 e IPCA-E

O IPCA-15 difere do IPCA oficial em relação ao período da coleta. A coleta de preços é feita entre o dia 16 do mês anterior até o dia 15 do mês de referência. Portanto é visto como uma prévia do IPCA.

O IPCA-E, por sua vez, nada mais é do que o IPCA acumulado a cada trimestre em referência ao IPCA-15.

Como o IPCA é utilizado na economia?

Através do IPCA é possível medir alterações no poder de compra da população em geral. Quando este índice aumenta, significa que a inflação subiu e consequentemente, o poder de compra do consumidor diminuiu. Isso significa que precisará de mais dinheiro para comprar o mesmo produto do que antes desse aumento ocorrer.

O indicador também funciona como referência para o sistema de metas de inflação, na qual o Banco Central se compromete a adotar estratégias para conseguir manter a inflação dentro de uma faixa fixada periodicamente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A principal ferramenta que o Banco Central possui para poder cumprir essa meta é a taxa de juros. Por este motivo, quando os preços começam a subir de forma descontrolada, é aumentada a taxa Selic para estabilizar essa situação. Leia mais neste artigo.

Além de servir como índice oficial da inflação, o IPCA também apresenta outras funções: 

Indicador de reajuste

É utilizado para reajuste de contratos privados ou até mesmo públicos. Em algumas regiões é comum reajustar o IPTU pelo IPCA, e isso ocorre também com o aluguel.  

Indexador de aplicações financeiras

Muitos investimentos da renda fixa apresentam rentabilidade atrelada ao IPCA, como CDBs, LCIs, LCAs e Debêntures, quando se trata de algum título indexado. O Tesouro IPCA, como o próprio nome sugere, também acompanha o índice, com mais alguma rentabilidade real pré-fixada. 

Esses títulos podem ser boas opções para o investidor que deseja proteger sua carteira de investimentos contra a inflação.

Variações da Inflação

Os preços de uma economia tendem a se ajustar de acordo com a demanda e a oferta por produtos e serviços. Quando a demanda por certos produtos é maior do que a oferta, é natural que o preço deles tenha um aumento.

O excesso de gastos públicos também pode ser uma causa de inflação, pois mais dinheiro em circulação costuma aquecer a economia. Uma movimentação brusca no câmbio, devido a um choque externo, também pode acabar provocando ajustes de preços internamente, já que uma parcela dos produtos consumidos é importado ou é cotado em dólar, ou seja, se o dólar aumenta, o preço desses produtos também aumenta, e o oposto também ocorre quando o dólar cai.

Rentabilidade Real

O conceito de rentabilidade real é importante para entender o impacto das variações do IPCA sobre a sua vida financeira, principalmente os seus investimentos. Trata-se da rentabilidade obtida já descontada a inflação. Ou seja, representa o quanto o investidor ganha de fato. A rentabilidade sem considerar a inflação é chamado de rentabilidade nominal, que muitas vezes pode ser ilusória em relação aos ganhos.

Quando alguém faz um investimento que oferece um retorno de 6% ao ano, é muito ou pouco? A resposta é relativa.

De todas as comparações possíveis, a mais fundamental é com a inflação. Em uma economia em que a inflação seja de 3% ao ano, o retorno de 6% talvez teria um ganho real que seria o dobro da inflação, portanto pode ser visto como um bom retorno. No entanto, se a inflação estiver em 8%, a rentabilidade real será negativa!

Portanto, para quem está em busca de sua independência financeira, é fundamental considerar se seus investimentos estão atrelados ao IPCA, ou se estão rendendo acima ou abaixo do mesmo, principalmente para o longo prazo.

-Guilherme Ferreira

*As opiniões do colunista não refletem necessariamente a posição da Estoa.

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