Dicas para não perder dinheiro com a Renda Fixa

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Principalmente diante de cenários de tantas incertezas econômicas, fiscais e até mesmo políticas, a aversão ao risco, que nada mais é do que uma relutância ou falta de vontade de assumir posições consideradas de risco (que podem ser nos investimentos ou não), deve contribuir para que a Renda Fixa tenha, também no ano que se aproxima, bastante atratividade, assim como aconteceu em 2022 com o ciclo de alta da taxa Selic, alta esta, inclusive, que deve permanecer por mais um tempo.

Por isso, até mesmo os investidores mais “agressivos” precisam ter um olhar para a Renda Fixa, visando uma diversificação estratégica e proteção do seu capital, só que isso não significa que é preciso deixar de lado as ações e outros investimentos da Renda Variável, mas sim ir aumentando a parcela de produtos de Renda Fixa sempre que se fizer (mais) necessário.

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O momento pelo qual ainda estamos passando e, provavelmente, continuaremos enfrentando até pelo menos o 1º ano do novo Governo, exige a construção de uma carteira com foco (prioridade) em principalmente duas coisas: Liquidez e Segurança. 

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Só que a Renda Fixa não é Fixa e tem sim os seus riscos!

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Então vamos começar entendendo o que exatamente é a Renda Fixa e suas principais características:

Características da Renda Fixa

  • Nada mais é do que um empréstimo para instituições (públicas ou privadas) visando o recebimento de juros, por isso é importante saber bem o prazo, a taxa/juros e quem é o emissor desta dívida. Os emissores podem ser o Governo, os Bancos e as Empresas;
  • Como disse acima, a Renda Fixa não é Fixa, mas é possível sim ter mais ideia (veja, eu não disse garantia e nem certeza) do quanto irá render e receber;
  • Costuma ter garantias, sejam elas atreladas ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou através de fianças e imóveis; 
  • É sim mais estável e menos volátil, mas ainda assim há volatilidade e riscos;
  • É mais recomendada para proteção de capital;
  • É mais recomendada para o curto e médio prazos;
  • Principais exemplos de investimentos: Títulos Públicos (Tesouro Direto), CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), LCs (Letras de Câmbio), LFs (Letras Financeiras), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), Debêntures etc.

Entendido as principais características e até mesmo exemplos de investimentos, vamos entender os principais riscos envolvidos neste tipo de investimento, afinal, não existem investimentos 100% seguros e livres de riscos.

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Principais Riscos da Renda Fixa

Atenção aqui: quanto maior o risco maior precisa ser os juros (taxa de rentabilidade) pago pelo título! Pode parecer óbvio, mas nem sempre é assim!

  • Risco de crédito: nada mais é do que o emissor do título não pagar a dívida/empréstimo.

Uma das coisas que minimiza este risco é a Garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), porém, não são todos os investimentos de Renda Fixa cobertos pelo FGC e há algumas regras, são elas:

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– Limite de até R$250mil por CPF e por Instituição com teto de R$1milhão investidos a cada 4 anos. Por exemplo: se você usufruir de R$250mil de benefício no ano 1, seu saldo de cobertura até passar o 4º ano será de R$750mil. 

A forma estratégica de usar essa proteção é diversificando as instituições emissoras dos títulos e respeitando estes limites.

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– Títulos cobertos: Poupança, CDB, RDB (Recibo de Depósito Bancário), LCI e LCA, LC e LH (Letra Hipotecária)

Atenção!! 

O FGC também tem risco de crédito, ou seja, ele não tem 100% do capital que garante. De modo geral, atualmente 99,7% estão totalmente cobertos pela garantia ordinária de até R$250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, ou seja, um risco bastante baixo, mas não nulo!

  • Risco de marcação a mercado: atualmente e diariamente é feita uma marcação do preço do título de acordo com a curva de juros (curto e longo prazo), a partir de 2023, alguns títulos de Renda Fixa como os títulos públicos federais (exceto Tesouro Direto), debêntures, CRIs e CRAs, passarão a ser marcados a mercado, com o intuito de refletir melhor o valor atualizado dos ativos na carteira já que são negociados diariamente, assim, se houver queda nos preços, o saldo de  investimentos cairá; e se houver valorização do título, o seu saldo aumentará. Os demais títulos permanecerão com a marcação na curva de juros. Na prática, não mudará nada para quem levar os títulos até o vencimento contratado inicialmente, independentemente das variações do preço do título ao longo da aplicação.

Quanto maior o prazo de vencimento, maior a volatilidade e o risco de variações (para cima ou para baixo) por conta da variação dos juros (quando juros sobe, os preços dos títulos caem e vice-versa) quanto por conta das marcações a mercado durante o período de aplicação. Fique atento(a) a isso!

  • Risco de liquidez: os títulos de Renda Fixa possuem vencimento predeterminado e, exceto os de liquidez diária, eles têm um prazo fechado para resgate, ou seja, não tem liquidez para que você resgate antes do vencimento. Nestes casos que há o prazo fechado para resgate, ainda assim é possível fazer o resgate antes do vencimento, porém há uma espécie de “multa” cobrada, sem contar a provável desvalorização do título, pois pode ser que o mercado, naquele momento de venda, pague uma taxa menor do que a paga no ato da compra. Claro que o contrário (pagar uma taxa maior) pode acontecer, mas é pouco provável. Assim, é fundamental analisar o prazo de vencimento destes títulos e evitar ao máximo títulos com vencimento longo.

Além de conhecer os riscos dos investimentos de Renda Fixa, é preciso saber que existem alguns tipos de títulos, que vamos conhecê-los a seguir:

Tipos de Títulos de Renda Fixa

Os títulos podem ser classificados em três tipos: prefixados, pós fixados e híbridos, conforme explicado melhor abaixo:

  1. Prefixados (são mais arriscados): a rentabilidade não é fixa, o que é fixado são os juros futuros, ou seja, o Valor Futuro e não o Valor Presente. Neste caso sabe o rendimento desde o início, porém, pode perder para a inflação. Ex. de rentabilidade: 15% aa. 
  1. Pós fixados (são menos arriscados): exatamente ao contrário, não travam o Valor Futuro, mas sim o Valor Presente. Por serem títulos atrelados a um indexador (Selic, CDI, IPCA ou IGPM, por exemplo), só é possível saber o rendimento no momento do resgate, no entanto, dificilmente perde para a inflação. Ex. de rentabilidade: 130% CDI.
  1. Híbridos: têm uma rentabilidade prefixada, mas também tem uma parte da rentabilidade atrelada à inflação (IPCA), ou seja, mescla os dois tipos acima. Ex. de rentabilidade: IPCA+8% aa.

Agora que você entende melhor sobre as características dos investimentos de renda fixa, seus principais riscos, garantias e tipos, vamos às dicas finais para não perder dinheiro com este tipo de investimento que, conforme vimos, tem sim riscos!

Dicas finais

  • Evite ficar exposto ao juro longo, sobretudo em cenários de bastante incerteza;
  • Quando há expectativas de aumento na taxa de juros (Selic), os pós fixados são mais recomendados, já que a rentabilidade vai variar conforme o índice; e quando há expectativas na queda da Selic, os prefixados acabam sendo mais recomendados, já que o rendimento fica acordado desde o início e provavelmente a taxa oferecida no ato de contratação será maior do que a praticada no vencimento (já que a tendência de queda);
  • Os títulos híbridos passam a ser mais interessantes quando se acredita que haverá um aumento da inflação, principalmente quando acompanhado de uma taxa de juros alta;
  • Para os prefixados, prefira sempre os de curtíssimo prazo (máximo 1 ano), pois as previsões econômicas variam bastante e há muito risco de a taxa ficar defasada;
  • Um ponto de atenção vai para os títulos de longo prazo prefixados ou atrelados à inflação que exigem bastante cautela. Principalmente diante do cenário de incertezas, esses títulos podem continuar sofrendo com a marcação a mercado. Só para se ter uma ideia, neste ano de 2022, o Tesouro IPCA+ 2045, por exemplo, acumulou um incrível prejuízo de 12,39% até o momento (nov/22). 
  • De forma geral, evite ao máximo títulos de Renda Fixa com prazo fechado, sejam eles quais forem, com vencimento superior a 1 ano ou, no máximo, 2 anos, já que as previsões e condições micro e macroeconômicas mudam constantemente, então ao querer se proteger, você pode sim, acabar perdendo dinheiro!

Por fim, espero que após a leitura deste artigo, você consiga chegar ao menos a três conclusões: 

  1. Todo investimento tem os seus riscos;
  2. A diversificação, se bem executada, será sempre a melhor estratégia para a carteira de qualquer investidor;
  3. Investir não é brincadeira, é preciso saber o que se está fazendo, por isso, ter a ajuda de um profissional da área é fundamental para tomar as melhores decisões e fazer as melhores escolhas de investimentos para o seu perfil de investidor, seus objetivos e de acordo com o cenário micro e macroeconômico atuais.

-Daniela V. Monteiro

*As opiniões do colunista não refletem necessariamente a posição da Estoa.

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