Caderneta de Poupança, ainda vale a pena?

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Neste artigo, vamos abordar a queridinha dos brasileiros, a famosa e companheira poupança. Apesar de que, após algum conhecimento sobre investimentos, acabamos pedindo “divórcio”, mas para a maioria, a poupança ainda é o principal e único produto de investimentos que o brasileiro conhece. Por que muita gente ainda usa?

História da poupança

Para entender o presente, precisamos falar do passado. A Caderneta de poupança foi criada foi criada no Rio de Janeiro, na Caixa Econômica Federal pelo imperador Dom Pedro II, através de um decreto assinado em 12 de janeiro de 1861, a ideia da poupança era garantir que as pessoas tivessem acesso a uma opção de investimento seguro, acessível e que pudesse se adequar a diferentes perfis — desde aqueles que desejavam guardar apenas pequenas economias até grandes investidores.

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Foi instituída à época com o objetivo único de remunerar depósitos com juros de 6% ao ano sob a garantia do governo imperial. Onze anos depois, com a publicação do Decreto nº 5.153, de 13 de novembro de 1872, a Lei 2.040, publicada um ano antes, foi regulamentada, de forma a possibilitar o recolhimento de depósitos feitos por escravos.

Ao aceitar depósitos feitos por escravos, a poupança representou, no passado, uma importante ferramenta para que, ao guardar suas economias, parte da população escravizada conseguisse “comprar” a alforria.

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Essa modalidade de investimento era destinada a pessoas de baixa renda e permitia depósitos de até 50 mil réis. Em 1874, o rendimento da caderneta de poupança foi alterado por meio de novo decreto que estabeleceu que as taxas de juros remuneratórios nunca seriam superiores a 6% ao ano e que seus valores seriam fixados anualmente pelo governo imperial.

Fonte: Caderneta de poupança – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

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Rentabilidade

A rentabilidade da poupança foi mudando até os dias atuais, tendo quase sempre rendimentos superiores a 6% ao ano. Porém ao longo dos anos, sua remuneração mensal vem sofrendo quedas, sendo que desde 2003, não tem uma rentabilidade mensal maior que 1%. O Cálculo atual, criado desde 1991, define que a poupança renda a soma de duas remunerações: Básica e adicional.

Remuneração Básica – Calculada aplicando a taxa correspondente aos valores acumulados da TR* Contadas do período da aplicação.

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Remuneração Adicional – Aqui um ponto de destaque, as regras foram sendo alteradas ao longo do tempo onde se o depósito foi realizado até 3 de maio de 2012 (poupança antiga): remuneração adicional fixa de 0,5% ao mês. Agora se foi a partir de 4 de maio de 2012:

– Se a meta anual for superior a 8,5%: remuneração adicional de 0,5% ao mês.

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– Se a meta anual for 8,5% ou inferior: remuneração adicional de 70% do valor estabelecido como meta anual para a taxa Selic, ajustado para o período de um mês.

TR* Taxa Referencial (TR) é uma taxa de juros de referência, instituída pela Medida Provisória n° 294, de 31 de janeiro de 1991 A TR deveria servir como referência para os juros vigentes no Brasil, sendo divulgada diariamente, a fim de evitar que a taxa de juros do mês corrente refletisse a inflação do mês anterior.[2]

Exemplo para os dias atuais

Então agora você sabe a história da poupança e que foi criada como um instrumento de política para controle da inflação, como também a sua rentabilidade através da taxa Selic, porém a pergunta que fica, vale a pena investir na poupança?

O motivo do brasileiro ser fiel a poupança é justamente por ter um grande histórico junto a caixa econômica federal, onde foi passada como forma “chique” de poupar de geração para geração e também, principalmente pela fuga do brasileiro em querer estudar assuntos relacionados a investimentos e economia doméstica, já que economizar e investir é algo que nos priva do agora.

Com as regras atuais, a poupança “toma de lavada” para a inflação. Olhem esse gráfico histórico de janeiro de 2020 até agosto de 2022, que irei comparar a inflação (IPCA), A poupança e a taxa DI, que é uma remuneração paga através de CDB.

Observem que a inflação foi no período de 18,4% e a poupança de apenas 9,98%, sendo que nos 2 últimos meses houve uma deflação sem alteração na taxa Selic, que ajudou a poupança a não ficar ainda mais longe.

Portanto, se você investiu na poupança R$1000,00 em janeiro de 2020, o seu dinheiro está com o valor de R$1098,00 atualmente, porém o valor do seu dinheiro era pra ser R$1184,00 para manter o mesmo poder de compra, portanto teve uma perda de 7,6% para o período!

O outro indicador é a taxa DI, que acompanha o valor do rendimento anual da SELIC que consequentemente é usada como mecanismo de combate à inflação (Maior inflação, maior taxa Selic). Portanto, fica evidente que investir em títulos que remuneram 100% da taxa DI é muito mais atrativo do que investir na poupança, porém este é assunto para um próximo artigo.

Até a próxima!

-Wano Carvalho

PQO /CNPI – T / CEA /

*As opiniões do colunista não refletem necessariamente a posição da Estoa.

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