A Previdência Privada e seus mitos: vale investir?

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É verdade que a Previdência Privada não rende? Que só tem produto ruim, com taxas altas, e que não entregam retorno? Este artigo foi produzido com o intuito de quebrar alguns mitos relacionados à previdência e contextualizar as modernizações ocorridas nesses anos – também do ponto de vista da rentabilidade – sobre um mercado que ultrapassa a marca do trilhão de reais no Brasil, mais precisamente R$ 1,1 trilhão de acordo com o FenaPrevi.

Como era a velha previdência privada

Para começo de conversa, precisamos desmistificar alguns pontos sobre Previdência Privada. No passado, o produto era mal vendido, caro e não entregava rentabilidade para o cliente. Ao longo do artigo, você vai entender como a Previdência Privada evoluiu ao longo do tempo, e como hoje ela é uma ferramenta muito usada dentro de um planejamento financeiro e patrimonial. 

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O preconceito com o produto é justificado pela forma como ele era comercializado tempos atrás. Nos grandes bancos, os planos de previdência eram utilizados como grandes “batedores de metas”. Quem nunca teve uma oferta de previdência daquele gerente “gente boa”, quase que pedindo um “favorzinho” para ele bater a meta? E mais: a contratação da previdência, que requer uma análise bem mais profunda da vida financeira do cliente (seus recebimentos, deduções, modelo de contratação, prazo de investimento), muitas vezes esta era reduzida a uma simples (e equivocada) pergunta: “cliente, você faz declaração no modelo completo ou simplificado”?  

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Vivendo o dia a dia desse mercado, não é raro conversar com clientes que dizem ter feito a escolha errada lá atrás, seja não tirando proveito do benefício tributário de seu PGBL, seja por ter escolhido uma tabela de imposto inadequada que acabou lhe onerando de maneira desnecessária em seus resgates.

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Falando do produto em si, como um investimento, a previdência sempre teve muitas amarras regulatórias da SUSEP, o que fazia com que o produto não trouxesse rentabilidades satisfatórias quando comparado com outros investimentos, devido ao seu caráter bastante passivo no quesito “alocação”. Ainda hoje, diversos fundos dos grandes bancos com bilhões de reais sob custódia, mal conseguem ganhar do CDI ao longo do tempo. Veja alguns exemplos de rentabilidades, numa janela de mais de 15 anos (sim, você não leu errado, QUINZE ANOS):

A Previdência Privada e seus mitos: vale investir?

Muito se deve ao alto custo desses produtos, com taxas de administração altíssimas que não condizem com a classe de ativo a que o fundo se sujeita. Por exemplo, não se justifica um fundo de renda fixa ter uma taxa anual de administração de 2%. Existe fundo bilionário com taxa de 3% a.a.! Isso sai diretamente da rentabilidade final do cliente, pois nesses gráficos comparativos as rentabilidades já vêm líquidas desse custo.

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A Previdência Privada e seus mitos: vale investir?

A modernização das normas e seus efeitos

Felizmente conseguimos observar que boa parte dos investidores acordaram para essa questão, e o que temos visto no mercado é um movimento de migração de custódia dos grandes bancos para as corretoras independentes. Veja o movimento de saída desses fundos:

As corretoras independentes têm em suas plataformas dezenas de gestoras independentes com centenas de produtos previdenciários (para todos os tipos de perfis de investimento, do mais conservador para o mais arrojado), que são compostas por profissionais em gestão de ativos, com taxas cada vez mais competitivas e justas, e retornos condizentes – obrigado livre mercado!

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A SUSEP, por sua vez, também tem colaborado ao longo dos anos, principalmente nos últimos cinco, flexibilizando cada vez mais a legislação previdenciária. Isso tem possibilitado produtos previdenciários replicarem exatamente as estratégias presentes nos mandatos dos fundos de investimento CVM 555, com mais eficiência de gestão e trazendo retornos equivalentes na maioria dos casos, e sem come-cotas, o que faz uma grande diferença no saldo final investido no longo prazo! Esses fatores atraem as próprias gestoras independentes, que ao se depararem com a modernização das normas, percebem que é possível alcançar também um bom trabalho de gestão em previdência – com retorno satisfatório para o investidor – fazendo com que cada vez mais produtos previdenciários sejam abertos por essas casas.

Abra o olho, investidor

Vale notar que o valor sob custódia nos fundos ruins e arcaicos ainda é enorme, na casa das centenas de bilhões de reais. Se você tem em sua carteira algum desses fundos, saiba que você está deixando rentabilidade na mesa, e atrasando o alcance do seu objetivo lá na frente! A portabilidade desses planos dos grandes bancos para corretoras é feita de maneira muito simples, sem taxas (alguns bancos podem cobrar taxa de saída) e é possível diversificar da maneira que o cliente quiser. Procure um profissional da área que consiga te orientar, e que te traga um planejamento financeiro adequado ao seu perfil. 

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No próximo artigo, trataremos como podemos usar a Previdência Privada como ferramenta eficiente dentro de um planejamento tributário. Agora que já sabemos que previdência rende SIM, como utilizá-la em nosso benefício ao longo da vida? Quais são as estratégias utilizadas e que ainda não são de conhecimento do brasileiro comum? É possível pagar menos imposto de renda? E a questão do come-cotas, faz diferença mesmo?

Investidor, grande abraço e até a próxima!

-Eduardo Buys

*As opiniões do colunista não refletem necessariamente a posição da Estoa.

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