BC divulga ata da reunião do Copom e aponta incerteza sobre a política fiscal do Brasil

Comitê fala sobre inflação, PIB e recessão internacional

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O Banco Central do Brasil (BC) divulgou, nesta terça-feira (13), a ata da reunião organizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), entre os dias 6 e 7 de dezembro, no qual aponta algumas incertezas da instituição em relação ao cenário fiscal brasileiro. 

O Copom também disse que está acompanhando os desenvolvimentos futuros da política fiscal, assim como os impactos sobre a dinâmica da inflação do país. 

Ata do Copom 

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Na reunião organizada pelo Copom, foi decidido que a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, seja mantida em 13,75%. “Reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva”, afirma o comitê. 

De acordo com as informações presentes na ata da reunião do Copom, o comitê debateu os diferentes impactos no cenário fiscal sobre a inflação. 

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O Comitê analisou os diferentes canais, pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação, não só através dos efeitos diretos na demanda agregada, mas como também via preços de ativos, grau de incerteza na economia, expectativa de inflação e taxa de juros neutra.   

“O Comitê avaliou que mudanças em políticas parafiscais ou a reversão de reformas estruturais que levem a uma alocação menos eficiente de recursos podem reduzir a potência da política monetária”, de acordo com a ata. 

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Na ata, o Banco Central do Brasil concluiu que: “avaliou-se que o efeito final, seja sobre a inflação ou sobre a atividade, dependerá tanto da combinação quanto da magnitude das políticas fiscal e parafiscal”.

O BC acrescentou que: “Além disso, ressaltou-se que a existência de capacidade ociosa na economia e a confiança sobre a sustentabilidade da dívida são fatores determinantes para uma política fiscal expansionista atingir os impactos almejados sobre a atividade econômica”. 

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“(…) Em ambiente de hiato do produto reduzido, o impacto de estímulos fiscais significativos sobre a trajetória de inflação tende a se sobrepor aos impactos almejados sobre a atividade econômica”, finaliza o BC.

Banco Central aponta incertezas sobre cenário fiscal do Brasil  Créditos: Reprodução

Copom 

O Copom aponta que o cenário para a inflação pode apresentar riscos para ambas as direções. A persistência das pressões inflacionárias globais,  a elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos, estão entre os riscos citados pelo comitê. 

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Na reunião, foi  citado uma queda adicional dos preços das commodities internacionais, como a moeda local, assim como também a desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada, e a manutenção dos cortes dos impostos que estão sendo projetados para serem revertidos em 2023. 

Além dos riscos, o Copom também cita um hiato de produtos mais estreitos que o utilizado pelo comitê em seu cenário de referência, como no mercado de trabalho.

Alguns diretores do BC apontam uma incerteza no âmbito fiscal do Brasil: O Comitê acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação, com potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva”.

Inflação

Na ata da reunião do Copom, também estão presentes algumas novas projeções de inflação no Brasil, em comparação com o documento referente à reunião de 25 e 26 de outubro, na qual foi estimado para 2022 um aumento de  5,8% para este ano,  4,8% para 2023 e 2,9% para 2024.

De acordo com as novas informações presentes na ata da reunião do Copom, a estimativa para 2022 é de 6,0%, para 2023 foi para 5,0% e 2024 apresenta a possibilidade  de aumentar para 3,0%.


As projeções para a inflação de preços administrados, também sofreu uma alteração de -3,9% para -3,6% em 2022, de 9,4% para 9,1% em 2023 e de 3,8% para 4,2% para 2024.

Cenário internacional e o PIB 

Na reunião, o Copom aponta a velocidade do processo de desinflação global, que de acordo com o comitê, apresenta um “relaxamento” das pressões sobre a cadeias globais por produção, assim como também a queda recente nos preços de commodities, que vem indicando que o movimento precisa prosseguir em curto prazo, como em segmentos de bens industriais, energia e alimentos. 

Em relação aos dados de atividade no Brasil, o Copom segue indicando um ritmo de crescimento de maneira mais lenta na margem: “A divulgação do PIB do terceiro trimestre sinaliza redução no ritmo de crescimento, em especial em alguns componentes mais cíclicos”.

“Observou-se, ainda assim, crescimento positivo em todos os componentes da demanda e, pela abertura da oferta, crescimento na indústria e em serviços”, de acordo com a ata da reunião do Copom.

“O conjunto de dados divulgados, incluindo a queda dos indicadores de confiança e a desaceleração observada nas concessões de crédito, junto com os efeitos defasados da política monetária, reforçam a expectativa do Comitê de desaceleração do ritmo da atividade econômica, que deve se acentuar nos próximos trimestres.”

Por fim, o comitê aponta que os dados do mercado de trabalho, podem reduzir o ritmo de contratações, com uma liquidez positiva na margem em 2023.

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